sábado, 4 de fevereiro de 2012

Debaixo das lentes negras

Eu já devia saber. Eu devia saber que besteira minha. Que acúmulo de rugas, de mágoas. Não precisava nada daquilo, não poderia só ver aquilo... Foi uma sexta revoltante. Ao menos, eu haveria classificado assim. 
Meu inútil momento de impaciência havia me deixado assim. Cabe muito mais história nessas entrelinhas, mas nada, nada que realmente justificassem toda a revolta.
Adormeci.
Veio o sábado e uma cena me faria repensar em todas as últimas reclamações que tinha proclamado de graça.

Estava sentada na janela do ônibus, um sol forte lá fora e eu a espiar do quadrado de vidro tudo o que se passava do lado de fora. Sem que notassem qual direção, olhava aos lestes e oestes e meus olhos debaixo das lentes negras perceberam o quão tenho sido ingrata.

Vi uma senhora bem senhora, com seus cabelos alvos, vestido leve e pele enrugada, braços magros e um andador onde se apoiara. Ao seu lado um menina, pequena criança de sorriso farto e olhar acolhedor, com seu corpo ainda pequeno de membros inferiores imóveis sob uma cadeira de rodas. Talvez nunca soubera o que era andar, mas mesmo assim, motivava a senhora como ninguém. Via-se o traço de esforço nas veias do vozinha, que tentava se locomover vagarosamente. Mas a menina gritava animadoramente: 'vai vó, você consegue'.

Foi uma questão de segundos.
Foi tocante.

Quantas vezes duvidei da minha força? Quantas vezes reclamei da vida?

Aquela criança me fez vê que nenhuma dificuldade pode me arrancar o sorriso do rosto. Aquela senhora me fez ver o quanto nunca é tarde, o quanto somos fortes nessa vida, que é uma questão de fé e doses de força de vontade.



BRITO, Emilly





quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Eu sei menina, é assim que a gente ama ...



Ele gosta dos seus cabelos longos, menina, e eu sei como você adora quando ele os desliza, se perde nos fios e te encontra no beijo.

Ele não está nem aí para o seu melhor salto, ele te adora pegar no colo ... E você cabe tão bem no colo dele.

Suavize na maquiagem. Ele só quer o teu olhar, na verdade se apaixonou por ele.

Um dia descobri porque ele gostava tanto de dias frios, porque sabia que você iria roubar sua jaqueta e logo depois abraçá-lo para esquentá-lo também. 

Ele te faz refém em cócegas, você o belisca, e ninguém lembra mais porque estavam brigando.

Quer saber? Ele adora quando você sabe provocar. Meio meiga, meio teimosa. 

Você o fascina. Só pode ser fascínio. Talvez um pouco também do teu perfume que ele não esquece, talvez pelo seu sorriso que o contagia e o teu companheirismo. Talvez tudo junto.

É, acredite nisso. No conjunto. Só pode. Por que você se conhece, sabe teus defeitos, e ele já percebeu, mas os fez de detalhes perto do prazer de estar ao seu lado.


Eu sei menina, é assim que a gente ama.


BRITO, Emilly




domingo, 15 de janeiro de 2012

Quero flechas que ficam...


Não gosto de café, de açaí. Não curto estampas de flores. Mas não gosto mesmo de solidão.
Não gosto do pós-ilusão... talvez porque entre o ter que esquecer e o querer esquecer vivem duas lágrimas.
Eu não gosto daqueles sapatos exuberantes que me façam calos. Aliás não gosto desse tanto de calos das flechas erradas do senhor cupido. Tá mirando bem, mas a flecha devia ser maior, mais profunda, que entre e ultrapasse os dois corações. Quero flechas que fiquem. 
Não gosto de distâncias quilométricas, não gosto das reticências quando eu mesma não posso completar.

BRITO, Emilly

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A família vai bem?




Atualmente, os meios de comunicação de massa, como o jornal, o rádio, internet e a televisão, invadiram praticamente todos os lares e exercem uma grande influência no modo de viver e pensar de adultos e crianças.
Influência está que certas vezes criam distâncias entre as família.
A mídia impõe, regula e nada dinamiza a convivência familiar.
E quando a TV fala mais que a mãe? Quando dita o ‘Faça’ quando a mãe aconselha pelo ‘Espere’. A família já não é mais o centro da casa, é a TV, plena e única no horário nobre.Faltam-nos espaços para os momentos em família, mas não perdemos as novelas.
Mas sabemos e como sabemos que os meios de comunicação só agilizam a informação. Quebra limites.
Limites? Talvez o limite da paciência. O limite do carinho. As antigas rodas de amigos viraram salas de bate papo on  line. Esqueceram do valor do abraço, do olhar nos olhos.
A mas tudo bem porque a Internet derruba fronteiras. Sim, conversamos fácil com alguém do outro lado do mundo. Pena que ao mesmo tempo construímos muro em casa e fica tão difícil um diálogo.
Isso que estamos tendo de comunicação?
Como se aprende o equilíbrio diante da mídia gritando a todo o momento que é legal quem fizer igual ao esquema. É legal estar conectado com o mundo, esquece família, mas mantenha-se na moda, assista tudo, compre, use.
Mais e a nossa família onde entra?
A benção ao dormir e ao acordar se esqueceu?
Uma simples conversa de como foi seu dia, participar a vida um do outros.
Os meios de comunicação estão aí para ajudar, sim. Mas que não nos deixemos nos dominar.


BRITO, Emilly

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Apenas saudade



Ansiedade mata? E remédio pra saudade, tem? A mente talvez mensure o tempo. O coração não; não tem noção das horas, nem da distância ...
Não dá  pra concentrar quando o único desejo é encontrar.
A prece no fim de cada oração é a mesma. Desejo do reencontro? Não, o desejo de que você seja feliz, longe ou perto de mim, e daqui fico com apenas saudade.

BRITO, Emilly

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Simplicidade


Eu não sei se a vida é que vai rápida demais ou se sou eu que estou mais lento. O que sei é que ando me atropelando nos próprios passos.Eu resolvi desacelerar. Eu vou no rítmo que posso.Não é fácil. É sabedoria que requer aprendizado! Eu quero aprender.O descompasso é a causa de todo cansaço. O corpo é rápido, mas o coração não. O corpo anda no compasso da agenda. O coração anda é no compasso do amor miúdo. O corpo sobrevive de andares largos. O coração sobrevive de pequenos passos e de demoras. Eu já fui e voltei a inúmeros lugares e o coração nem saiu do lugar.O mistério é saber reconciliar as partes. Conciliar um ritmo que seja bom para os dois.Eu quero aprender. Não quero o martírio antes da hora. Quero é o direito de saborear o tempo como se fosse um menino que perdeu a pressa. O show? Ah, deixa pra depois. A voz não morrerá. Acendemos as luzes noutra hora. Deixe que o padre viva a penumbra de algumas poucas velas... Um padre combina mais com uma vela acesa que com um canhão de luz.Há momentos em que a luz miúda nos revela muito mais que mil holofotes.Chega de vida complicada. Eu preciso é de simplicidade!

Pe. Fábio de Melo

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Insônia



Murmúrios de noite, os carros na BR e os grilos no fundo.Nada de sono, tudo na mente. O silêncio era meu. A insônia era minha. 2h20.

O que pensam? O que sonham lá fora?
Que consciência tenho de mim?
Que consciência têm de mim?

Mais murmúrios, grilos, carros. A cidade não dorme? Meu sono não vem? Grilos, calem-se.
Foram dois filmes e um livro terminado. Difícil um ponto em comum. Três ensinamentos, um que só me faz lembrar que quero casar, outro que me faz acreditar em mim e outro que me questiona o que penso de mim.

2h35.
Os grilos pararam. Quanto ainda resta de noite?

De frente para o stand by não quero mais a companhia da TV.
Ah! A BR ainda não parou. Choveu cedo, pista molhada, escuto cada roda que passa nela.

Um copo amarelo, quatro paredes azuis e minha noite sem sono.

Macabéa morreu depois de mergulhada na esperança. Logo que descobrira a vida... E eu o que sei de vida?
Sinto que nada, mas tanto quero.

Quero agora é dormir, a noite me fascina, mas sem que me envaideça preciso fechar os olhos, tentar encerrar essa quarta de lições que a quinta me espera. Boa noite BR.

2h58.


BRITO, Emilly

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

É tempo de conversão.

Era pra ser um simples desabafo no facebook, mas acabou virando um texto de reflexão ... 




Sempre haverão duas opções, dois caminhos e por mais que venham a te influenciar na decisão é você quem escolhe.

Eu escolhi ser a otimista. Talvez a boba, ingênua, mas nomeio de otimismo.

Enxergar a possibilidade da colheita quando ver a chuva ...
Enxergar a superação quando ver a dificuldade
E porque não enxergar a possibilidade de conversão quando ver bondade natalina.

Tenho muito escutado a questão que todo mundo fica bonzinho no Natal, e só no Natal. Que pessoas agem de forma diferente de como agia durante o resto do ano...
Falsidade? Momento?
E porque não chance?
Chance de tentar ser uma pessoa melhor. Que se deixe levar pelo espírito natalino sim, que se permita a mudança, quem sabe a semente não germina? Quem sabe aquilo não vire uma ação contínua? Quem sabe o Natal seja a chama que precisamos para a conversão!


BRITO, Emilly



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Percepções




Cheguei nem haviam muitas pessoas ali, aos poucos rostos anônimos iam se aproximando.
Olhares tão distantes, talvez retalhando nos pensamentos o que fizera durante o dia. Muitas raças, muitas idades, muitas histórias que ali se cruzavam, talvez todo dia fosse assim se se percebessem.
Eu percebia.
Percebia a mulher revestida de guerreira que se acomodava no banco de cimento, mãos cálidas das faxinas diárias, e a maquiagem, que outrora desenhava seus olhos, seu único capricho antes da labuta, já derretida sob os olhos cansados e pele suada.
Percebia a menina impulsiva, mal disfarçava seu anseio, não saberia eu dizer o que... talvez um alguém, talvez um presente, talvez um reencontro, talvez importante para ninguém, mas pra ela só seus restos de unhas sabiam a importância.
Sempre fui dessas de enxergar as entrelinhas. Duvidar do casco, querer ler os traços, os olhares, os gestos.
Percebia a senhora de cabelos alvos, com sacola de pano e pés enrugados, roupa simples e traços fortes, seu olhar triste rebuscava talvez uma infância de lágrimas, talvez a solidão, ou talvez tenha sido apenas um dia ruim, só um ar cabisbaixo que te roubara a felicidade momentânea.
Via mais que pessoas, via vidas, e tentava imaginar os instantes que lhes prendiam. Os passos dados, a bagagem que trazia.
Via a mãe que olhava instintivamente o relógio a cada minuto, com pressa de reencontrar os filhos, de tirar os sapatos de doutora e calçar os chinelos de mãe. Devia ter pressa de fome, da prole, da casa.
 Cheguei a reparar num jovem. Quieto, calado. Ainda me é mistério seus óculos escuros. Talvez escondam o choro, ou simplesmente o sono.
Corriam por entre todos, três crianças sujas do algodão doce da esquina brincavam sem amanhãs, tentava identificar seus pais, mas não os achava, mas a graça tripla contagiava o saguão. Pra eles não tinha tempo ruim.
De repente um sinal,  e o portão se abriria. Cada rumo será rumo agora.
Vida e experiências únicas em cada átrio dali, sentimentos e pensamentos tão diferentes ... mas todos entramos na mesma barca!

BRITO, Emilly

domingo, 4 de dezembro de 2011

Coisas da vida


Tem momentos que nada parece dar certo, que você está na hora e no lugar errado, já outros em que tudo parece se encaixar perfeitamente e tudo conspira a teu favor. O espaço que existe entre um momento e outro nada mais é do que o tempo. O tempo apaga, conserta, ensina e encoraja. Quanto maior a fé, a garra, e claro, a ação .. mais esse tempo lhe será ágil ... a essa agilidade eu nomeio de feedback. Quanto semeamos o bem, o justo, fica difícil de colher coisas negativas. Certamente, o mundo vai oferecer as mais diversas opções boas e ruins ... eis que tua atitude perante a elas indica tua moral. A sua postura diante das dificuldades vai estampar sua coragem. O teu sorriso pode destruir qualquer mal humor, qualquer ignorância. A tua mão amiga erguida pode afagar qualquer abandono. A mudança está em você.


BRITO, Emilly.